Diagnóstico foi de clamídia, gonorreia ou sífilis.

Segundo Ministério da Saúde, os números não representam a realidade dos brasileiros que tomam a pílula.

Medicamento de PrEP oferecido pela Prefeitura de Contagem Fábio Silva/Secretaria de Saúde de Contagem A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira (11) um estudo de uma universidade australiana que concluiu que usuários da PrEP, pílula que previne a infecção do vírus HIV, apresentaram aumento no diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Segundo a OMS, a PrEP revolucionou a prevenção do HIV em todo o mundo, no entanto, ainda é preciso manter o alerta sobre o comportamento sexual de risco dos usuários.

O alerta foi feito junto com a divulgação do estudo global conduzido pela Universidade Monash (MSHC), que contou com apoio da OMS, que mostrou que cerca de 72% das pessoas que utilizam há pelo menos um ano a PrEP foram diagnosticadas com clamídia, gonorréia ou sífilis, enquanto que apenas 24% dessas pessoas haviam sido diagnosticadas com DSTs antes de começarem a tomar a pílula.

A conclusão do estudo é que os mesmos fatores que colocam as pessoas em risco substancial de contrair o HIV - como baixo uso de preservativos e ter mais de um parceiro sexual, por exemplo - são os mesmos fatores que aumentam o risco de adquirir outras DSTs.

“A PrEP tem o potencial de ser uma das intervenções mais significativas e poderosas para prevenir a infecção pelo HIV.

Este estudo destacou uma vantagem adicional da PrEP: ela oferece uma oportunidade para melhorar a saúde sexual daqueles indivíduos e populações com maior risco de HIV e DSTs”, disse o diretor do MSHC, Christopher Fairley.

Diante dos dados, a OMS aconselhou que os serviços que oferecem a PrEP devem incluir testes e tratamentos de prevenção a outras DSTs.

“Os serviços de PrEP podem ajudar a prevenir não apenas o HIV, mas também as DSTs, e devemos aproveitar essa oportunidade ”, complementou a médica co-autora do artigo, Rachel Baggaley, do Departamento de HIV, Hepatites e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS. O estudo foi publicado no JAMA Network Open e compilou dados quantitativos de 26 países.

Os números foram obtidos em 9 bancos de dados e 3325 artigos de pesquisadores e implementadores de PrEP relacionados à prevalência e/ou incidência de DSTs.

PrEP no Brasil O Ministério da Saúde afirmou que os dados do estudo citado pela OMS não representam a realidade brasileira, já que, entre janeiro e junho de 2019, apenas 13 em cada 100 usuários de PrEP foram diagnosticadas com sífilis.

Em relação à hepatite C, o número é menor ainda: foram identificados somente 7,3 casos a cada 1 mil usuários da pílula.

Em nota, o órgão afirmou que o Brasil, "alinhado com a OMS, adota a prevenção combinada, que contempla todos os componentes da prevenção, como testagem, diagnóstico e uso de preservativo.

A PrEP permite o acesso das pessoas à prevenção contra o HIV/Aids". A PrEP está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde janeiro de 2018. Os grupos com maior risco de contraírem o HIV que têm acesso à PrEP no SUS no Brasil são gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis. O país tem 11.034 pessoas cadastradas que usam a pílula, sendo 4.152 novos cadastros apenas entre janeiro e maio deste ano.

Os gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSM) são os que mais aderiram à medida no Brasil – foram 2.898 novos cadastros neste ano.

Do outro lado, estão travestis, homens trans e mulheres trans, que representam menos de 5% dos usuários da PrEP.

Drauzio Varella fala sobre os tratamentos PrEP e PEP “Pílula anti-HIV" A PrEP, popularmente chamada de “pílula anti-HIV”, é uma combinação dos medicamentos: tenofovir (300mg) + truvada (200mg).

Ao tomar uma dose diária, a pessoa se previne contra o vírus que, uma vez contraído, não tem cura.

Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prevenção ao HIV por meio da Profilaxia Pré-Exposição para os grupos de risco.

Mais de 100 mil pessoas já tinham usado a pílula até o final de 2016.

Estudos apontam uma taxa de eficiência maior do que 90%.